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11 edições nesta editoria.

A Amazon já fatura mais alugando que vendendo

Em 2025 a Amazon faturou US$ 716,9 bilhões. Vender produto próprio, nas lojas online e físicas, respondeu por 40,7% do total (US$ 291,8 bilhões). Cobrar de quem usa a plataforma respondeu por 51,5% (US$ 369,5 bilhões): US$ 172,2 bilhões em serviços a vendedores terceiros, US$ 128,7 bilhões de AWS e US$ 68,6 bilhões de publicidade. Em 2019 a conta era 56,5% contra 36,2%. A virada foi em 2023, quando as três linhas cobradas do lojista passaram as lojas por 48,3% contra 43,8%. A loja não encolheu: as lojas online quase dobraram em dinheiro, de US$ 141,2 bilhões para US$ 269,3 bilhões. O que mudou foi a velocidade: publicidade multiplicou por 5,4, serviços a vendedores por 3,2 e AWS por 3,7, contra 1,9 da loja online. As assinaturas, onde mora o Prime, ficaram paradas em participação (6,85% para 6,92%). Dado do SEC EDGAR, 10-K de 2019 a 2025.18 de set. de 2026

A Meta já queimou US$ 88 bilhões no metaverso

O Reality Labs, o braço de realidade virtual e óculos da Meta, fechou 2025 com US$ 2,21 bilhões de receita e US$ 19,19 bilhões de prejuízo operacional: US$ 8,70 perdidos para cada US$ 1 faturado. Em sete anos o acumulado chega a US$ 88,1 bilhões, mais do que todo o lucro operacional da empresa em 2025 (US$ 83,3 bilhões). A receita bateu o topo em 2021, o ano em que o Facebook virou Meta, com US$ 2,27 bilhões, e desde então anda de lado; o prejuízo quase dobrou, de US$ 10,2 bilhões para US$ 19,2 bilhões. Quem paga é o Family of Apps (Facebook, Instagram e WhatsApp), que lucrou US$ 102,5 bilhões em 2025: a conta do metaverso consumiu 19% disso, contra 32% em 2022. O peso caiu porque o lucro dos aplicativos cresceu 2,4 vezes, não porque o Reality Labs tenha ficado mais barato. Quem não tem esse colchão não compra esse tipo de prazo. Dado do SEC EDGAR.17 de set. de 2026

A Ásia empatou com a América Latina na Netflix

Em 2025 a América Latina rendeu US$ 5,3575 bilhões à Netflix e a Ásia-Pacífico, US$ 5,3537 bilhões: uma diferença de US$ 3,8 milhões, ou 0,07%. Em 2017 a América Latina valia quase três vezes a Ásia (US$ 1,64 bilhão contra US$ 576 milhões); de lá para cá a receita asiática cresceu 830% e a latino-americana, 226%. O empate fecha um movimento que já tinha acabado: a fatia dos EUA e Canadá caiu de 59,2% em 2017 para 44,0% em 2021 e não saiu mais do lugar, e a Europa subiu de 21,0% para 32,9% e estacionou. Até 2021 a receita crescia com assinante novo, e o assinante novo era estrangeiro; desde 2022 cresce com preço, cobrança por conta compartilhada e plano com anúncio, alavancas que puxam todas as regiões ao mesmo tempo. A América Latina é grande em gente e pequena em dinheiro (18,1% dos assinantes e 12,9% da receita em 2022) e foi a que menos cresceu desde a virada: a Netflix já não precisa de assinante novo por aqui, precisa que o que existe pague mais. Dado do SEC EDGAR.16 de set. de 2026

A Apple comprou de volta 43% de si mesma

A Apple fechou o exercício de 2025 com 15,0 bilhões de ações em circulação. No pico, em 2012, eram 26,5 bilhões: 43% do capital da empresa foi comprado de volta e cancelado. A conta é de US$ 816,3 bilhões em recompra entre os exercícios de 2013 e 2025, 91% de tudo o que a empresa lucrou no período. O primeiro degrau veio em 2013, quando a Apple começou a emitir dívida para financiar a recompra; o segundo em 2018, com a repatriação do caixa liberada pela reforma tributária, quando o gasto mais que dobrou em um ano. Para quem tem a ação, o efeito é aritmético: sem comprar um papel a mais desde 2012, o acionista é dono de uma fatia 76% maior da empresa. Dado XBRL dos formulários 10-K na SEC, ajustado pelos desdobramentos de 2014 e 2020.08 de set. de 2026

O iPhone empacou em US$ 200 bilhões

A Apple vendeu US$ 209,6 bilhões de iPhone no exercício encerrado em setembro de 2025, contra US$ 192,0 bilhões em 2021: 9,2% em quatro anos, sem descontar inflação. O último salto foi o do iPhone 12, o primeiro com 5G, que cresceu 39,3% de uma vez em 2021. Desde então a linha oscila entre 192 e 210 bilhões. A empresa continuou crescendo do lado de fora do aparelho: a receita total subiu 13,8% no mesmo intervalo, puxada por serviços, que saltaram 59,5%. O iPhone era 66% das vendas da Apple em 2015 e fechou 2025 em 50,4%. Dado dos formulários 10-K na SEC.07 de set. de 2026

O Nubank já lucra mais que o Mercado Livre

Em 2025 o Nubank lucrou US$ 2,87 bi contra US$ 2,00 bi do Mercado Livre: 44% a mais. Em 2019 os dois perdiam dinheiro. O Nubank saiu do vermelho em 2023, já um pouco à frente, quase dobrou o lucro em 2024 e cresceu 45% em 2025. O Mercado Livre saltou 94% em 2024 e depois andou 4,5%; o primeiro semestre de 2026 veio abaixo do de 2025. Quem lucra mais hoje é a empresa que não vende nada: a margem migrou do comércio para o crédito. Dado dos 20-F e 10-K na SEC.04 de set. de 2026

A Amazon vende mais anúncio que o YouTube

Em 2025 a Amazon faturou US$ 68,6 bi vendendo espaço publicitário contra US$ 40,4 bi do YouTube: 70% a mais. Em 2019 o YouTube estava na frente. As duas empataram em 2020 com um milhão de dólares de diferença — US$ 19.773 milhões contra US$ 19.772 milhões — e a Amazon passou em 2021 sem nunca devolver a liderança. O buraco abriu em 2022, ano de recessão publicitária: o YouTube cresceu 1,4% e a Amazon, 21%. O anúncio está migrando do lugar onde a pessoa passa o tempo para o lugar onde ela paga. Dado dos 10-K na SEC.03 de set. de 2026

A Disney andou 12% em dez anos. A Netflix, 3.400%

A Disney saiu de US$ 15,7 bi de lucro operacional no exercício de 2016 para US$ 17,6 bi no de 2025: 11,6% em dez anos. A Netflix foi de US$ 380 milhões para US$ 13,3 bi no mesmo período, 35 vezes mais. Hoje a Netflix fatura menos da metade da Disney (US$ 45,2 bi contra US$ 94,4 bi) e lucra três quartos dela — margem operacional de 29,5% contra 18,6%. O piso da Disney foi o exercício de 2021, com parque fechado e Disney+ recém-lançado. Dado dos 10-K na SEC.02 de set. de 2026

O Uber não tem carro e já lucra mais que a Tesla

Em 2025 o Uber lucrou US$ 5,57 bi na operação contra US$ 4,36 bi da Tesla: a primeira vez que a empresa sem carro nenhum fica na frente da montadora. A Tesla faturou US$ 94,8 bi, quase o dobro dos US$ 52,0 bi do Uber, e ainda assim lucrou menos — margem de 4,6% contra 10,7%. É o terceiro ano seguido de queda no lucro da Tesla desde o pico de US$ 13,7 bi em 2022. Dado dos 10-K na SEC.01 de set. de 2026

O Airbnb faturava o dobro do Mercado Livre. Inverteu

Em 2019 o Airbnb faturava 2,1 vezes o Mercado Livre. Em 2025 o Mercado Livre faturou US$ 28,9 bi contra US$ 12,2 bi do Airbnb, 2,4 vezes mais. Em seis anos a receita do argentino foi multiplicada por 12,6 e a do americano, por 2,5. Dado dos 10-K na SEC.28 de ago. de 2026

A Netflix queimou US$ 9,6 bi para virar a Netflix

Entre 2015 e 2019 a Netflix consumiu US$ 9,6 bi de caixa nas próprias operações. Em 2025, a mesma linha do demonstrativo marcou US$ 10,1 bi positivos, recorde dos 19 anos da série. Foram oito anos entre o começo da queima e o primeiro ano de caixa alto. Dado dos 10-K na SEC.26 de ago. de 2026