A Meta já queimou US$ 88 bilhões no metaverso
O Reality Labs, o braço de realidade virtual e óculos da Meta, fechou 2025 com receita de US$ 2,21 bilhões e prejuízo operacional de US$ 19,19 bilhões. São US$ 8,70 de prejuízo para cada US$ 1 que o segmento fatura. Somados os sete anos que a Meta divulga por segmento, o acumulado chega a US$ 88,1 bilhões: mais do que todo o lucro operacional que a empresa registrou em 2025 (US$ 83,3 bilhões).
A curva virou em 2021, o ano em que o Facebook passou a se chamar Meta. Foi ali que a receita do segmento bateu o topo, US$ 2,27 bilhões, empurrada pelo lançamento do Quest 2 no fim de 2020. Desde então ela anda de lado: 2,16 em 2022, 1,90 em 2023, 2,15 em 2024 e 2,21 em 2025, ou seja 3% abaixo do pico de quatro anos antes. O prejuízo não acompanhou essa calmaria. Saiu de US$ 10,2 bilhões em 2021 para US$ 19,2 bilhões em 2025, quase o dobro.
Quem paga é o Family of Apps, o pedaço que reúne Facebook, Instagram e WhatsApp, e que teve US$ 102,5 bilhões de lucro operacional em 2025. A conta do metaverso consumiu 19% disso. O pior momento relativo foi 2022, quando o prejuízo do Reality Labs equivaleu a 32% do lucro dos aplicativos, e a Meta reagiu com demissões e com o que Mark Zuckerberg chamou de ano da eficiência. O peso relativo caiu desde então, mas por um motivo específico: o lucro dos aplicativos cresceu 2,4 vezes entre 2022 e 2025, não porque o Reality Labs tenha ficado mais barato.
Para quem opera produto de hardware, o gráfico é um aviso sobre horizonte de investimento. A Meta mantém há cinco anos uma aposta cuja receita não sai do lugar, e consegue mantê-la só porque tem um negócio de publicidade capaz de absorver US$ 19 bilhões por ano sem despentear a margem. Quem não tem esse colchão não compra esse tipo de prazo.
A Meta já queimou US$ 88 bilhões no metaverso
Reality Labs: receita e resultado operacional, 2019 a 2025 (US$ bilhões)
- Receita
- Resultado operacional
Ressalva de método. O Reality Labs não é só metaverso: o segmento reúne os óculos Quest, os óculos Ray-Ban Meta e o Horizon Worlds. "Metaverso" aqui é abreviação do segmento inteiro, que é como a própria Meta o apresenta desde 2021. A Meta só divulga resultado por segmento a partir de 2019, informação que apareceu pela primeira vez no 10-K do exercício de 2021; não existe base comparável antes disso, então a série começa em 2019 e não em 2014, o ano da compra da Oculus. Segunda leitura independente feita por sobreposição de arquivamentos: 2020 e 2021 aparecem nos 10-K de 2021 e de 2022 com os mesmos valores, 2022 aparece nos 10-K de 2022 e de 2024, e 2023 e 2024 aparecem nos 10-K de 2024 e de 2025; nenhum número foi reapresentado. O lucro operacional total dos sete anos também foi conferido na API XBRL da SEC e bate com a soma dos dois segmentos. No 10-K do exercício de 2025 a Meta passou a abrir as despesas do segmento entre remuneração de pessoal e demais custos, seguindo a nova regra de divulgação de despesa por segmento; a definição do resultado operacional do segmento não mudou, e a soma Family of Apps mais Reality Labs bate com o total da companhia em todos os sete anos. Valores em dólares nominais, sem correção pela inflação americana. O radar do dia (Sherwood/Chartr) foi conferido e não originou esta pauta: ela saiu da lacuna do próprio acervo do graphz, e o dado foi coletado direto no EDGAR.
Acesso em 17 de set. de 2026 · licença aberta
https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1326801/000162828026003942/