De cada US$ 100 do Google, sobravam 20. Hoje, 32
Em 2018, de cada US$ 100 que a Alphabet faturava, US$ 20,12 sobravam como lucro operacional. Foi o piso de treze anos. Em 2025 sobraram US$ 32,03, sobre uma receita quase três vezes maior (US$ 402,8 bilhões contra US$ 136,8 bilhões). O Google não ficou só maior: ficou mais rentável enquanto crescia, que é a parte difícil.
A curva virou em 2021. A margem operacional pulou de 22,6% para 30,6% em doze meses e nunca mais voltou ao patamar de antes (o pior ano desde então foi 2022, com 26,5%). O que aconteceu ali é aritmética de escala: a receita cresceu 41% no ano do estouro do anúncio digital pós-pandemia, enquanto vendas e marketing subiu 28% e o custo da receita, 31%. Crescer sem aumentar a conta na mesma velocidade aparece inteiro na faixa verde do gráfico.
A fatia que encolheu não é a que se imagina. Custo da receita (servidor, o tráfego que o Google paga para ser o buscador padrão do iPhone, a parte do YouTube que vai para o criador) subiu de 39,6% da receita em 2013 para 46,4% em 2020, e só depois recuou para 40,3%. Quem murchou mesmo foi vendas e marketing: 11,8% em 2013, 7,1% em 2025, o menor da série. Em dólar, o gasto está quase parado desde 2022 (de US$ 26,6 bilhões para US$ 28,7 bilhões) enquanto a receita subiu 42% no mesmo intervalo. Administrativo fez caminho parecido, de 8,0% para 5,3%.
P&D é a única despesa que segurou o próprio espaço na conta: 12,9% em 2013, 15,2% em 2025. O Google cortou a fatura de vender e manteve a de construir. Para quem opera do outro lado do mercado, a leitura é desconfortável: a empresa que vende anúncio para o mundo inteiro é justamente a que menos precisa comprar atenção para si mesma, e cada ponto percentual poupado em marketing vira orçamento de data center. Quem tenta tomar a busca do Google não briga só com o produto, briga com uma estrutura de custo já arrumada para bancar a rodada seguinte.
De cada US$ 100 do Google, sobravam 20. Hoje, 32
Cada US$ 100 de receita da Alphabet em 2025: para onde foi e o que sobrou, com a fatia de cada linha em 2013
Ressalva de método. O gráfico mostra como a receita de 2025 se repartiu e, em cada nó, a fatia que a mesma linha tinha em 2013; a série completa dos treze anos está no dado da matéria. Todos os exercícios da Alphabet encerram em 31 de dezembro, então ano fiscal e ano calendário coincidem. Nos treze anos, receita menos as cinco linhas de despesa menos o lucro operacional fecha em zero, com três exceções que são exatamente as multas da Comissão Europeia lançadas em linha própria pela Alphabet (US$ 2,736 bilhões em 2017, US$ 5,071 bilhões em 2018 e US$ 1,697 bilhão em 2019); elas entram como série própria no dado e, zeradas em 2025, não aparecem no gráfico. Desde 2020 a Alphabet não usa mais linha separada para multas: a fatia administrativa de 2025 (5,3%, contra 4,1% em 2024) carrega a multa de 2,95 bilhões de euros aplicada pela Comissão Europeia em setembro de 2025 no caso de adtech. A partir de 2023 a Alphabet estendeu a vida útil contábil dos servidores de quatro para seis anos e de parte do equipamento de rede de cinco para seis, o que reduziu a depreciação em cerca de US$ 3,4 bilhões já em 2023, lançados em custo da receita e em p&d: parte do ganho de margem dos últimos anos é mudança de estimativa contábil, não operação. 2013 e 2014 são os números reapresentados pela Alphabet, com a Motorola Mobility tratada como operação descontinuada. O radar (Sherwood/Chartr, Visual Capitalist, Our World in Data) foi consultado e não originou esta pauta; ela saiu da faixa de terça (balanço das gigantes) com a restrição de formato da semana (composição do total).
Acesso em 15 de set. de 2026 · licença aberta
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