A Ásia empatou com a América Latina na Netflix
Em 2025 a América Latina rendeu US$ 5,3575 bilhões à Netflix e a Ásia-Pacífico rendeu US$ 5,3537 bilhões. A diferença entre as duas regiões é de US$ 3,8 milhões, ou 0,07% do que cada uma fatura. Em 2017 não havia empate nenhum: a América Latina valia quase três vezes a Ásia-Pacífico (US$ 1,64 bilhão contra US$ 576 milhões). De 2017 para cá a receita asiática cresceu 830% e a latino-americana, 226%.
O empate é o fim de um movimento que já tinha acabado. A fatia dos Estados Unidos e do Canadá caiu de 59,2% em 2017 para 44,0% em 2021, e desde então não saiu do lugar: 44,8%, 44,2%, 44,5% e 44,2% nos quatro anos seguintes. Uma variação de menos de um ponto percentual em cinco exercícios. A Europa fez o caminho inverso, de 21,0% para 32,9% até 2021, e desde então oscila entre 31% e 32%. A Netflix se internacionalizou entre 2017 e 2021 e congelou o mapa ali.
A data não é acidente. Até 2021 a receita crescia porque entrava assinante novo, e o assinante novo era estrangeiro. Em 2022 a empresa perdeu assinantes pela primeira vez em mais de uma década e trocou de alavanca: aumento de preço, cobrança por conta compartilhada e plano com anúncio. Essas três coisas puxam a receita por conta já existente, e puxam em todo lugar ao mesmo tempo. Entre 2022 e 2025 a receita de streaming subiu 43,6%, com cada região perto disso (Ásia-Pacífico 50,0%, Europa 48,9%, EUA e Canadá 41,7%, América Latina 31,6%). Quando todo mundo cresce junto, a composição fica parada.
A parte que o gráfico não mostra é a conta por cabeça. No fim de 2022, último ano em que o 10-K traz assinantes por região, a América Latina tinha 18,1% dos assinantes e 12,9% da receita, enquanto os Estados Unidos e o Canadá tinham 32,2% dos assinantes e 44,8% da receita. A região é grande em gente e pequena em dinheiro, e foi a que menos cresceu desde a virada. Para quem opera streaming por aqui, isso define de que lado a régua de preço vai andar primeiro: a Netflix já não precisa de assinante novo na América Latina para crescer, precisa que o assinante que já existe pague mais.
A Ásia empatou com a América Latina na Netflix
Receita de streaming da Netflix por região, em % do total de cada exercício, 2017 a 2025. Sem a receita de DVD
- EUA e Canadá
- Europa, Or. Médio, África
- América Latina
- Ásia-Pacífico
Ressalva de método. A receita é reportada em dólares, então câmbio entra na conta: a estabilidade das fatias a partir de 2022 acontece num período de dólar forte, que comprime Europa e América Latina quando convertidas. A leitura de "composição congelada" vale para o dinheiro que entra no caixa da empresa, não para o crescimento em moeda local. A série exclui a receita de DVD, que a Netflix reportava junto com a de streaming até encerrar o serviço em 2023; ela aparece como diferença entre a soma das quatro regiões e a receita consolidada (US$ 450,5 milhões em 2017, US$ 297,2 milhões em 2019, US$ 145,7 milhões em 2022, US$ 82,8 milhões em 2023 e zero depois), e incluí-la só encolheria proporcionalmente as fatias de 2017 a 2023, sem mudar a forma do gráfico. Validação: os anos de 2019, 2020 e 2021 foram lidos em dois arquivamentos diferentes (10-K de 2019, de 2021 e de 2022) e os valores batem dígito a dígito; em todos os nove anos, a soma das quatro regiões mais o resíduo de DVD fecha exatamente com a receita consolidada da API XBRL. A Netflix só divulga receita por região a partir do exercício de 2017; antes disso reportava por segmento (streaming doméstico, streaming internacional e DVD doméstico), um corte que não é comparável, então a série não começa antes. Os assinantes por região citados no texto vêm do mesmo 10-K de 2022; a empresa deixou de publicar assinantes por trimestre a partir de 2025, e a receita por região é a série que segue viva. O fio veio do radar, de uma edição do Chartr sobre streaming; o recorte, o período e os números são outros, coletados direto na SEC.
Acesso em 16 de set. de 2026 · licença aberta
https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1065280/000106528026000034/