A Amazon vende mais anúncio que o YouTube
Em 2025 a Amazon faturou US$ 68,6 bilhões vendendo espaço publicitário, contra US$ 40,4 bilhões do YouTube: 70% a mais. Seis anos antes a conta era outra. Em 2019 o YouTube arrecadava US$ 15,1 bilhões e a loja da Amazon, US$ 12,6 bilhões.
O cruzamento tem data e uma coincidência quase cômica. Em 2020 as duas empataram: US$ 19.773 milhões para a Amazon e US$ 19.772 milhões para o YouTube, um milhão de dólares de diferença em quase vinte bilhões. Em 2021 a Amazon passou e nunca mais devolveu a liderança. O ano que abriu o buraco foi 2022: o YouTube cresceu 1,4% e a Amazon, 21%.
2022 foi ano de recessão publicitária, e ela bateu de forma desigual. Quem vende anúncio de vídeo depende de saber quem está do outro lado da tela, e a permissão de rastreamento que a Apple passou a exigir no iPhone em abril de 2021 encareceu exatamente isso. A Amazon não precisa rastrear ninguém: o anúncio aparece no mesmo lugar onde a compra acontece, e a intenção já está declarada na busca por "cafeteira". Depois disso a empresa ainda aumentou o estoque de espaço à venda, ligando anúncio no Prime Video em janeiro de 2024.
O dinheiro de publicidade está saindo do lugar onde a pessoa passa o tempo e indo para o lugar onde ela paga. Para quem compra mídia, isso muda o preço de referência: a atenção, que era o ativo escasso, hoje disputa orçamento com um dado que a Amazon tem e o YouTube não, o histórico de compra de quem está vendo. A fila anda por aqui também, com Mercado Livre, iFood e Magalu vendendo o mesmo tipo de espaço.
A Amazon vende 70% mais anúncio que o YouTube
Receita anual de publicidade, em US$ bilhões correntes
- Amazon
- YouTube
Ressalva de método. A série começa em 2019 porque foi o primeiro ano em que a Amazon divulgou "advertising services" como linha separada: antes disso o valor ficava dentro de "other". É quebra de divulgação, não de metodologia, e os sete anos são comparáveis entre si. Os valores são nominais em dólar, sem correção pela inflação; como a comparação é entre as duas empresas no mesmo ano, o efeito de preço atinge as duas igualmente. As duas encerram exercício em 31 de dezembro, então não há descasamento de calendário fiscal. "YouTube ads" cobre só publicidade: a receita de assinatura do YouTube (Premium e TV) entra em outra linha da Alphabet e não está no gráfico. Do lado da Amazon, "advertising services" é majoritariamente anúncio patrocinado nas próprias propriedades e passa a incluir o Prime Video a partir de 2024, o que amplia o estoque de espaço à venda dentro da mesma linha contábil. Uma primeira leitura do release de resultados do quarto trimestre de 2025 da Alphabet devolveu valores anuais divergentes para "YouTube ads"; a checagem no próprio documento mostrou que aquele release traz essa linha apenas por trimestre (Q4 2025: US$ 11.383 milhões), e o número anual usado aqui veio do 10-K, então não há divergência entre fontes. A atribuição de causas (a permissão de rastreamento exigida pela Apple no iPhone desde abril de 2021, a recessão publicitária de 2022, o anúncio no varejo) é contextual, não estatística: a série mostra o descolamento e a data em que ele começa, não a causa. O fio veio do radar do Chartr, que vinha tratando de negócios de publicidade de plataforma, mas nenhum número foi aproveitado de lá: a série inteira foi coletada direto nos formulários da SEC.
Acesso em 03 de set. de 2026 · licença aberta
https://www.sec.gov/edgar/browse/?CIK=1018724