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Tudo subiu 44%. O celular ficou mais barato

gredação graphz
11 de set. de 2026 · 2 min de leitura

Entre dezembro de 2019 e julho de 2026 o IPCA acumulou alta de 43,9%. O subitem aparelho telefônico, que é o celular no bolso do leitor, caiu 2,9% em reais correntes no mesmo período. Descontada a inflação, o aparelho está 32,6% mais barato do que estava há seis anos e sete meses. É o raro caso de um item da cesta do IBGE que custa menos reais hoje do que custava antes da pandemia.

A curva virou em abril de 2022, quando o índice do aparelho bateu 111,9 e encerrou o ciclo de dois anos em que celular subia junto com dólar e com fila de chip. De lá até novembro de 2025 foram 43 meses e uma queda de 17,7%, com o índice chegando a 92,1. O IPCA geral andou 15,6% no mesmo intervalo. A distância entre as duas linhas não é uma promoção passageira: é a diferença entre um preço que depende de escala industrial global e um preço que depende de aluguel, salário e alimento no Brasil.

Dentro da queda há um calendário. Novembro é, em média, o mês em que o subitem mais recua (queda média de 0,98% nos seis novembros da série) e dezembro é o mês em que mais sobe (alta média de 1,52%, positiva nos seis anos sem exceção). O IPCA enxerga a Black Friday com precisão de vitrine, e enxerga também o desconto voltando para o lugar trinta dias depois. Em 2025 o movimento começou antes: outubro caiu 2,54%, a segunda maior queda mensal da série, atrás só de novembro de 2023.

O que mudou é o fim da queda. Desde o piso de novembro de 2025 o índice subiu 5,4%, e a queda acumulada em doze meses, que era de 6,27% em dezembro, encolheu para 0,85% em julho de 2026. Para quem vende aparelho no Brasil, o argumento comercial dos últimos quatro anos (o preço cai sozinho, basta esperar) parou de funcionar. Para quem compra, a conta de trocar de celular volta a competir com todo o resto da cesta, e não mais no lado fácil da comparação.

Tudo subiu 44%. O celular ficou mais barato

IPCA, número-índice encadeado da variação mensal (dez/2019 = 100): subitem aparelho telefônico contra o índice geral, jan/2020 a jul/2026 (n = 79 meses)

90100110120130140150202120222023202420252026pico em abr/2022: 111,9143,997,1
Fonte: IBGE, SIDRA, tabela 7060 (IPCA, variação mensal por subitem), acesso em 11/09/2026
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Ressalva de método. A série começa em janeiro de 2020 porque é ali que a tabela 7060 começa, depois da revisão estrutural do IPCA com base na POF 2017-2018; não foi encadeada com as tabelas anteriores justamente para não criar quebra de série num subitem cuja definição mudou na revisão. O índice é encadeado a partir da variação mensal publicada com duas casas decimais, então carrega arredondamento acumulado da ordem de centésimos de ponto. O subitem mede o preço do aparelho, não o da conta de telefonia nem o do acesso à internet, que são outros subitens do mesmo grupo. O IPCA acompanha uma cesta de aparelhos pesquisada nos mesmos pontos de venda: o índice não é o preço de um modelo específico, e a troca de modelos ao longo do tempo é tratada pela metodologia do IBGE, não por este gráfico. Último dado disponível na tabela em 11/09/2026 era julho de 2026; agosto ainda não havia sido publicado. A pauta não veio de nenhum veículo do radar: saiu direto da fonte primária.

Fonte primária: IBGE · Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA), tabela 7060 (IPCA, variação mensal, acumulada no ano e acumulada em 12 meses por grupo, subgrupo, item e subitem), variável 63 (variação mensal), classificação 315: subitem 9101019 aparelho telefônico (categoria 7794 na API) e índice geral (categoria 7169), Brasil, jan/2020 a jul/2026, n = 79 meses por série. A tabela não publica número-índice por subitem, só variação: o índice do gráfico (dez/2019 = 100) foi construído pelo GRAPHZ encadeando a variação mensal publicada. Duas conferências independentes: o acumulado em doze meses que sai do encadeamento bate com o publicado pelo IBGE (variável 2265) em dez/2021, dez/2022, dez/2023, dez/2024, dez/2025 e jul/2026 com diferença máxima de 0,02 ponto percentual, que é arredondamento de duas casas; e o encadeamento do índice geral reproduz os fechamentos anuais oficiais do IPCA (10,06% em 2021, 5,79% em 2022, 4,62% em 2023 e 4,83% em 2024). Segunda leitura independente em 11 de setembro de 2026: os 158 valores mensais das duas séries foram baixados de novo da API e batem sem exceção
Acesso em 11 de set. de 2026 · licença aberta
https://sidra.ibge.gov.br/tabela/7060