A Apple comprou de volta 43% de si mesma
A Apple fechou o exercício de 2025 com 15,0 bilhões de ações. No pico, em 2012, eram 26,5 bilhões. São 43% do capital da empresa que simplesmente deixou de existir, comprado de volta e cancelado. A conta: US$ 816,3 bilhões pagos em recompra de ações entre os exercícios de 2013 e 2025, dinheiro que saiu do caixa e não voltou.
A curva sobe até 2012 e vira ali. Durante os anos de Steve Jobs a Apple emitia ação para pagar funcionário e não recomprava nada, e a linha subia devagar. Em março de 2012 a empresa anunciou a volta do dividendo e um programa de recompra; em abril de 2013, sob pressão pública de investidores como David Einhorn, ampliou o programa e começou a emitir dívida para financiá-lo, porque a montanha de caixa estava fora dos Estados Unidos. Carl Icahn entrou na cobrança em agosto daquele ano, e a empresa ampliou de novo em 2014. O segundo degrau aparece em 2018: com a reforma tributária de dezembro de 2017 liberando a repatriação, a recompra saltou de US$ 32,9 bilhões (FY2017) para US$ 72,7 bilhões (FY2018), mais que o dobro em um ano.
O tamanho disso fica claro na comparação com o próprio lucro: no mesmo período de treze exercícios a Apple lucrou US$ 893,4 bilhões e devolveu 91% disso em recompra. Para quem tem a ação, o efeito é aritmético e silencioso: sem comprar um papel a mais desde 2012, o acionista é dono de uma fatia 76% maior da empresa hoje.
Isso muda como se lê o crescimento da Apple. Parte da alta do lucro por ação vem de vendas, parte vem do denominador encolhendo. E o denominador cobra caro: como a ação subiu junto, cada 1% da empresa retirado de circulação custa mais dólares a cada ano. Manter esse ritmo exige gastar mais para comprar menos.
A Apple comprou de volta 43% de si mesma
Ações da Apple em circulação por exercício fiscal, média diluída ajustada por desdobramentos (bilhões)
Ressalva de método. A série é a média ponderada diluída de ações do exercício, o número usado no cálculo do lucro por ação, e não a posição de ações em circulação numa data específica; é a medida com histórico contínuo e comparável nos 10-K, e o mesmo conceito XBRL cobre os 19 exercícios, sem quebra metodológica. Os valores dos 10-K são como reportados na época, sem ajuste de desdobramento: aplicamos fator 28 aos exercícios até 2013 e fator 4 aos de 2014 a 2019, referentes aos desdobramentos 7:1 (2014) e 4:1 (2020). A soma de US$ 816,3 bilhões cobre os exercícios de 2013 a 2025; em 2011 e 2012 a linha de recompra é zero nos 10-K, então não há corte arbitrário de período. A recompra no fluxo de caixa é o valor bruto pago pelas ações, e parte da retirada é compensada pela emissão de novas ações para remunerar funcionários, por isso a queda no número de ações (43%) é menor do que o gasto sugeriria. O exercício fiscal da Apple encerra na última semana de setembro, e o gráfico usa as datas de encerramento. Esta pauta não veio de veículo do radar: o fio saiu da própria série do EDGAR.
Acesso em 08 de set. de 2026 · licença aberta
https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/320193/000032019325000079/aapl-20250927.htm