O iPhone empacou em US$ 200 bilhões
No exercício encerrado em 27 de setembro de 2025 a Apple vendeu US$ 209,6 bilhões de iPhone. No exercício de 2021 foram US$ 192,0 bilhões. São 9,2% de crescimento em quatro anos, em dólares correntes, sem descontar inflação nenhuma. Meia década andando de lado.
A curva virou em 2021. Naquele exercício o iPhone saltou 39,3% de uma vez, de US$ 137,8 bilhões para US$ 192,0 bilhões: era o iPhone 12, o primeiro com 5G, caindo em cima de uma fila global de gente com aparelho velho e casa para equipar. Foi o último salto. Desde então a linha oscila numa faixa estreita, entre 192 e 210 bilhões, e três dos cinco exercícios couberam entre 200 e 206 bilhões.
A Apple continuou crescendo do lado de fora do aparelho. A receita total foi de US$ 365,8 bilhões em 2021 para US$ 416,2 bilhões em 2025, alta de 13,8%, puxada por serviços, que saltaram de US$ 68,4 bilhões para US$ 109,2 bilhões no mesmo intervalo (59,5%). O efeito aparece na composição: o iPhone era 66% das vendas da Apple em 2015 e fechou 2025 em 50,4%. O que não é telefone já responde por quase metade das vendas da empresa.
Isso muda o cálculo de quem vive em cima da plataforma. O iPhone virou base instalada, não motor de crescimento: a conta que a Apple precisa fechar todo trimestre agora depende de assinatura, comissão de loja e acordo de busca, e não de vender mais telefone. Quem desenvolve, anuncia ou vende dentro do ecossistema está disputando espaço num bolo que a Apple tem cada vez mais incentivo para apertar.
O iPhone empacou em US$ 200 bilhões
Vendas líquidas de iPhone por exercício fiscal (US$ bi correntes)
Ressalva de método. Valores em dólares correntes, sem correção por inflação: em termos reais o crescimento de 9,2% entre 2021 e 2025 é negativo. O exercício fiscal da Apple encerra na última semana de setembro, então "2025" aqui é o período de 29 de setembro de 2024 a 27 de setembro de 2025; a série está indexada pela data de encerramento do exercício, não pelo campo de ano fiscal do arquivamento. Há uma quebra de série declarada: a Apple adotou a norma contábil ASC 606 no exercício de 2019, reapresentando 2017 e 2018 — o iPhone de 2017 aparece como US$ 141,3 bilhões no 10-K original e como US$ 139,3 bilhões no 10-K de 2019, e a série usa o valor reapresentado. Os exercícios de 2015 e 2016 nunca foram reapresentados e seguem na norma anterior; a diferença medida no ano de sobreposição é de 1,4%, pequena diante da amplitude da série, mas não é zero. Nenhum veículo do radar inspirou esta pauta: a série foi montada do zero a partir dos arquivamentos originais.
Acesso em 07 de set. de 2026 · licença aberta
https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/320193/000032019325000079/aapl-20250927.htm