O Uber não tem carro e já lucra mais que a Tesla
Em 2025 o Uber registrou US$ 5,565 bilhões de lucro operacional contra US$ 4,355 bilhões da Tesla. É a primeira vez na série que a empresa que não é dona de nenhum carro fica na frente da que fabrica os carros. Seis anos antes, em 2019, o Uber perdia US$ 8,596 bilhões na operação e a Tesla já rodava perto do zero.
A curva da Tesla virou em 2022, quando o lucro operacional bateu US$ 13,656 bilhões. De lá para cá caiu três anos seguidos: 35% em 2023, 20% em 2024 e 38% em 2025. O motivo aparece na linha de cima do balanço: a receita da Tesla saiu de US$ 96,8 bilhões em 2023 para US$ 97,7 bilhões em 2024 e US$ 94,8 bilhões em 2025, ou seja, parou de crescer e recuou. Vender quase a mesma quantidade de carro por menos dinheiro derruba a margem antes de derrubar o faturamento.
O Uber cruzou o zero em 2023, no primeiro ano de lucro operacional da história da empresa, e não parou mais de subir. A comparação de escala é o que dói: a Tesla faturou US$ 94,8 bilhões em 2025, quase o dobro dos US$ 52,0 bilhões do Uber, e mesmo assim lucrou menos. A margem operacional do Uber foi de 10,7% contra 4,6% da Tesla. Em 2022, no pico, essa margem da Tesla era de 16,8%.
A diferença é de estrutura, não de sorte. A Tesla carrega fábrica, estoque e o preço de um bem durável que ela mesma precisou baixar para continuar vendendo. O Uber carrega servidor e time comercial, e cobra uma porcentagem de uma corrida que outra pessoa dirige. Enquanto o carro elétrico virar commodity de preço, quem monta o carro absorve a queda e quem só intermedia a viagem não. Vale lembrar que a Tesla vende ao investidor uma tese de robôs e carro autônomo, não de margem de montadora: se essa tese demorar, o resultado que aparece no 10-K é este.
Em 2025 o Uber lucrou mais que a Tesla pela primeira vez
Lucro operacional anual de Uber e Tesla, em US$ bilhões correntes
- Uber
- Tesla
Ressalva de método. Os valores são nominais em dólar, sem correção pela inflação; como a comparação é entre as duas empresas no mesmo ano, o efeito de preço atinge as duas igualmente. O gráfico mede lucro operacional, não lucro líquido, e a escolha é proposital: o lucro líquido do Uber é distorcido pela reavaliação das participações que a empresa mantém em outras companhias, que oscila muito e não diz nada sobre a operação. As duas empresas encerram exercício em 31 de dezembro, então a comparação ano a ano é direta, sem defasagem de calendário fiscal. O prejuízo operacional do Uber em 2019 (US$ 8,596 bilhões) tem um componente concentrado no segundo trimestre daquele ano, de US$ 5,485 bilhões, ligado à remuneração em ações reconhecida no IPO: não é despesa recorrente, e por isso o ponto de 2019 é atipicamente fundo. Não houve quebra metodológica na série: o conceito us-gaap:OperatingIncomeLoss é o mesmo em todos os exercícios das duas empresas. Os números de 2025 foram conferidos contra os releases de resultados das próprias empresas — a Tesla informou receita de US$ 94,82 bilhões e lucro operacional de US$ 4,35 bilhões (queda de 38%), e o Uber, "income from operations" de US$ 5.565 milhões em 2025 contra US$ 2.799 milhões em 2024, com receita de US$ 52.017 milhões —, e batem com o XBRL. Na data de acesso o EDGAR já trazia o segundo trimestre de 2026 da Tesla, mas o dado mais recente do Uber era o primeiro trimestre de 2026; por isso a série é anual e termina em 2025, o último exercício completo das duas. A pauta não veio do radar: saiu da varredura da própria base do EDGAR na faixa do dia, e o Sherwood e o Visual Capitalist foram consultados só para checar que ninguém tinha publicado o mesmo recorte.
Acesso em 01 de set. de 2026 · licença aberta
https://data.sec.gov/api/xbrl/companyconcept/CIK0001543151/us-gaap/OperatingIncomeLoss.json