A Disney andou 12% em dez anos. A Netflix, 3.400%
No exercício encerrado em outubro de 2016 a Disney teve US$ 15,721 bilhões de lucro operacional. No encerrado em setembro de 2025, US$ 17,551 bilhões. São dez anos para avançar 11,6%. A Netflix fez o mesmo percurso saindo de US$ 379,8 milhões para US$ 13,327 bilhões: 35 vezes mais. Em 2016 a Netflix lucrava 2,4% do que a Disney lucrava; em 2025, 76%.
A curva virou em 2019 e 2020, e não foi por acaso. A Disney comprou a 21st Century Fox em março de 2019 e lançou o Disney+ em novembro do mesmo ano, ou seja, assumiu uma dívida grande e um custo novo ao mesmo tempo. Em seguida a pandemia fechou os parques, que são a parte do negócio que dá dinheiro de verdade: o lucro operacional caiu para US$ 8,108 bilhões no exercício de 2020 e US$ 7,766 bilhões no de 2021, o piso da série. Foi ali que a Netflix chegou mais perto, a 80% do lucro da Disney. Depois os parques reabriram, a Disney recuperou terreno e a distância voltou a abrir. Só que a Netflix não parou: dobrou o lucro entre 2021 e 2025.
O que o gráfico não mostra é o tamanho das duas. No último exercício a Disney faturou US$ 94,4 bilhões e a Netflix, US$ 45,2 bilhões. A Netflix fatura menos da metade e lucra três quartos, o que dá margem operacional de 29,5% contra 18,6%. A Disney carrega parques, cruzeiros, estúdios, canais de TV a cabo em queda e um serviço de streaming construído por cima de tudo isso. A Netflix carrega catálogo e servidor.
Para quem opera, a leitura é sobre custo de transição. As duas empresas entraram na mesma década com a mesma tese sobre streaming. Uma tinha só o streaming para pagar. A outra teve que sustentar o negócio antigo enquanto construía o novo, e é essa conta que aparece na linha parada por dez anos.
Dez anos: a Disney avançou 12%, a Netflix multiplicou por 35
Lucro operacional por exercício encerrado, em US$ bilhões correntes
- Disney
- Netflix
Ressalva de método. Os exercícios não coincidem: a Netflix fecha em 31 de dezembro e a Disney entre 27 de setembro e 3 de outubro. Por isso o eixo horizontal é a data real de encerramento de cada exercício, e não o ano fiscal declarado — cada ponto da Disney cobre um período que termina cerca de três meses antes do ponto correspondente da Netflix. Valores nominais em dólar, sem correção pela inflação americana: em termos reais o avanço de 11,6% da Disney vira queda. É lucro operacional consolidado, não resultado do segmento de streaming; a Disney reporta o Disney+ dentro de direct-to-consumer, com critérios de alocação próprios que mudaram no período. A Disney incorporou a 21st Century Fox em março de 2019, o que altera a base de comparação da receita e do resultado a partir do exercício de 2019, sem quebra no conceito contábil usado aqui. A série da Disney vem do CIK 1744489, a holding criada em 2019 para a operação da Fox: o exercício encerrado em outubro de 2016 aparece nesse CIK via formulário 8-K, e os demais via 10-K. A Netflix já apareceu no graphz em 26 de agosto, com outra série (caixa operacional) e outra conclusão; aqui a protagonista é a Disney e o conceito é lucro operacional. O fio veio de uma nota do Sherwood News sobre a temporada de Hollywood e o hábito de streaming, mas nenhum número deles foi usado: a série inteira foi coletada de novo no SEC EDGAR.
Acesso em 02 de set. de 2026 · licença aberta
https://data.sec.gov/api/xbrl/companyconcept/CIK0001744489/us-gaap/OperatingIncomeLoss.json