Tudo em tecnologia barateou, menos a conta da TV
Em 16 anos e sete meses, o aparelho de vídeo e som ficou 78,4% mais barato que a inflação americana, o computador 69,6% e o serviço de telefonia 42,5%. Um item da lista foi na direção contrária: a TV por assinatura, que inclui satélite e streaming de canais ao vivo, subiu 7,5% acima da inflação. Em números nominais o contraste é mais bruto ainda: o índice da assinatura saiu de 368 para 612 (alta de 66%) enquanto o índice cheio subiu 55% e o de computadores caiu 53%.
A curva da assinatura virou por volta de 2019. Entre dezembro de 2009 e dezembro de 2019 ela correu 11,7% na frente da inflação, na fase em que a operadora podia repassar aumento de pacote sem perder cliente. De dezembro de 2019 até julho de 2026 ficou 3,7% atrás. O que mudou naquele intervalo tem data: Disney+ estreou em novembro de 2019, HBO Max e outros vieram logo depois, e a conta mensal deixou de ser um item sem substituto. Em janeiro de 2023 o próprio BLS mudou o nome do item para incluir "streaming ao vivo", deixando explícito que o serviço de canais pela internet está dentro do mesmo índice da conta de cabo.
A outra virada é recente e vai na direção oposta. O índice de computadores tocou o fundo em dezembro de 2025 (33,730) e subiu 8,6% até julho de 2026, contra 3,0% da inflação geral no mesmo intervalo. Aparelhos de vídeo e som subiram 4,4%. Em termos nominais, o computador americano está hoje mais caro do que estava em dezembro de 2023 (36,641 contra 35,773): dois anos e meio de deflação de hardware devolvidos em sete meses.
Para quem monta orçamento de tecnologia, as duas viradas apontam para o mesmo lugar. A premissa de que o hardware barateia sozinho todo ano está suspensa desde o fim de 2025, e o item que mais resistiu à queda foi justamente o de assinatura, que é o que sai da conta bancária todo mês. Quando o aparelho para de baratear e a mensalidade não cede, a linha de tecnologia do orçamento deixa de se financiar sozinha.
Vídeo e som caiu 78% em termos reais; a TV por assinatura subiu 7,5%
Quanto o preço de cada item correu acima ou abaixo da inflação americana, acumulado de dez/2009 a jul/2026 (%)
- TV paga
- Telefonia
- Computadores
- Vídeo e som
Ressalva de método. Os índices do BLS usam ajuste hedônico: a queda de 78,4% do aparelho de vídeo e som não quer dizer que a etiqueta na loja caiu isso, e sim que uma TV com a mesma qualidade da de 2009 custaria isso hoje; parte da queda é preço e parte é qualidade que subiu pelo mesmo dinheiro. O recorte é Estados Unidos e não vale para o Brasil, onde câmbio e tributação de eletrônico mudam a conta inteira. Outubro de 2025 não tem leitura em nenhuma das cinco séries porque o BLS não publicou o índice daquele mês; o cálculo usa dezembro como âncora anual e julho de 2026 como ponto final, então a lacuna não entra em nenhuma das variações apresentadas. A mudança de título do item de TV por assinatura, em janeiro de 2023, foi de nome e não de escopo, segundo o aviso oficial do BLS sobre alterações de título de série; não há quebra de série no período. A janela começa em dezembro de 2009 porque é onde começa a série de aparelhos de vídeo e som; as outras quatro têm histórico mais longo. A variação real é calculada como razão entre os índices do item e do índice cheio no mesmo par de datas, não como subtração de percentuais. O radar de veículos de dados visuais foi consultado e não inspirou esta pauta; ela saiu da faixa temática do dia.
Acesso em 27 de ago. de 2026 · licença aberta
https://fred.stlouisfed.org/data/CUUR0000SERA02