A big tech pagou US$ 96 bi sem tirar do caixa
As seis maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos reconheceram US$ 96,1 bilhões de remuneração em ações no último exercício encerrado por cada uma, contra US$ 16,6 bilhões dez anos antes: 5,8 vezes mais. É uma despesa que entra no resultado e reduz o lucro, mas não sai do caixa. A empresa paga parte do salário emitindo ação nova, e quem banca a conta é o acionista, via diluição.
A curva que virou é a da Amazon. Ela foi a maior pagadora do grupo em 2022 e 2023, com US$ 24,0 bilhões no pico, à frente da Alphabet. Depois caiu dois anos seguidos, até US$ 19,5 bilhões em 2025, uma queda de 19%. A virada começa no exercício de 2024, o primeiro depois da rodada de demissões que a empresa iniciou no fim de 2022 e estendeu por 2023. Nenhuma das outras cinco caiu em nenhum ano do período.
No caminho oposto, a Meta mais que dobrou a conta desde 2021 e passou a Amazon em 2025 (US$ 20,4 bilhões contra US$ 19,5 bilhões). A Nvidia multiplicou a sua por 31 desde o exercício encerrado em janeiro de 2016, saindo de US$ 204 milhões para US$ 6,4 bilhões, o crescimento mais rápido do grupo e ainda o menor valor absoluto. A Alphabet, maior pagadora em nove dos onze exercícios, quase congelou em 2024 (alta de 1,4%) e voltou a acelerar em 2025 (9,5%).
Para quem opera, o número importa por dois motivos. Ele mostra quanto do custo de pessoal dessas empresas está indexado ao preço da própria ação, o que fica barato quando o papel cai e caro quando sobe. E ele reaparece no caixa mais tarde, quando a empresa recompra ações para conter a diluição que criou. Pagar em ação adia a despesa, não a elimina.
A Amazon cortou 19% da conta em ações; nenhuma das outras cinco caiu
Remuneração em ações das seis maiores techs dos EUA, por exercício fiscal encerrado (US$ bilhões)
- Amazon
- Alphabet
- Meta
- Apple
- Microsoft
- Nvidia
Ressalva de método. As seis empresas fecham exercício em meses diferentes: a Microsoft em junho, a Apple em setembro, a NVIDIA em janeiro e as demais em dezembro. Por isso o eixo horizontal é a data de encerramento de cada exercício, e não o ano civil: pontos próximos na horizontal não cobrem exatamente os mesmos doze meses. O exercício da NVIDIA encerrado em janeiro de 2026 cobre quase todo o calendário de 2025 e é tratado como o exercício de 2025 no texto. A série começa em 2015 por causa da Microsoft: no XBRL, o conceito us-gaap:ShareBasedCompensation tem uma lacuna nos arquivamentos da empresa entre 2010 e 2015, e começar antes deixaria um buraco em uma das seis linhas; as demais têm histórico mais longo, a Amazon desde 2007 e a Apple desde 2008. O conceito usado é a linha de ajuste não-caixa do fluxo de caixa, que é a medida total da despesa no exercício: ele não separa o que foi capitalizado nem abre por função (pesquisa, vendas, administrativo). A atribuição de causa para a queda da Amazon é contextual, não estatística: o dado mostra a queda e a data em que ela começa, mas a série de remuneração em ações não permite isolar demissões, mudança de política de concessão ou variação do preço do papel. Valores nominais em dólar, sem correção pela inflação. A pauta não veio do radar: as edições recentes do Chartr e da Our World in Data consultadas no dia não tratavam do tema, e a série foi coletada direto na SEC.
Acesso em 31 de ago. de 2026 · licença aberta
https://data.sec.gov/api/xbrl/companyconcept/CIK0001018724/us-gaap/ShareBasedCompensation.json