Só o Mercado Livre cresceu como a Nvidia
Do exercício de 2017 ao de 2025, o Mercado Livre multiplicou a receita por 23,8 e a Nvidia, por 22,2. São 49% e 47% ao ano, sustentados por oito anos. As outras seis empresas do recorte ficaram entre 1,8 vez (Apple) e 8,1 vezes (Tesla), e cinco delas, Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta, couberam numa faixa estreita: de 8% a 22% ao ano.
A Nvidia chegou lá em três anos. Até o exercício encerrado em janeiro de 2023 ela faturava US$ 27 bilhões e vinha crescendo 23% ao ano desde 2018, no ritmo da Meta. Nos três exercícios seguintes a receita multiplicou por oito: US$ 60,9 bilhões, depois 130,5, depois 215,9. A curva virou no exercício encerrado em janeiro de 2024, quando os provedores de nuvem aceleraram a compra de servidor para inteligência artificial.
O Mercado Livre chegou ao mesmo lugar por outro caminho: em nenhum dos oito anos a receita dobrou. Saiu de US$ 1,2 bilhão em 2017 e fechou 2025 em US$ 28,9 bilhões, e mesmo no trecho mais recente, de 2022 para cá, ainda somou 39% ao ano. Vale olhar o eixo horizontal antes de comemorar: a receita do Mercado Livre é 4% da receita da Amazon, e crescer partindo de uma base pequena é bem mais fácil.
Para quem opera, o gráfico separa dois crescimentos que costumam ser tratados como um só. O da Nvidia depende de um ciclo de demanda que tem três anos de idade e um número pequeno de clientes. O do Mercado Livre é juro composto em cima de um mercado que ainda estava sendo construído, e não tem um ano que explique o resto. Se o ciclo de servidor desacelerar em 2027, só uma das duas curvas continua onde estava.
Só o Mercado Livre cresceu como a Nvidia
Crescimento médio anual da receita de 2017 a 2025, pelo tamanho em 2025
Ressalva de método. Os anos fiscais não coincidem: a Microsoft fecha em junho, a Apple em setembro, a Nvidia no fim de janeiro e as outras cinco em dezembro. A Nvidia entra com o exercício encerrado em janeiro de 2018 como 2017 e com o encerrado em janeiro de 2026 como 2025, porque onze dos doze meses de cada um caem no ano anterior (a própria Nvidia os chama de fiscal 2018 e fiscal 2026). A Microsoft já fechou o exercício de junho de 2026, com US$ 331,8 bilhões; o ponto ficou de fora para manter a mesma janela de oito anos para todas. Há uma quebra de série no Mercado Livre: a partir do 10-K de 2024 a receita total passou a ser receita líquida mais receita financeira (net revenues and financial income), e a empresa reapresentou 2022 (de US$ 10,54 bilhões para 10,78) e 2023 (de 14,47 para 15,11, 4,4% a mais). A base de 2017 segue na definição antiga. Se ela subisse os mesmos 4,4%, o maior acréscimo da reapresentação, o multiplicador do Mercado Livre cairia de 23,8 para 22,8 vezes (47,8% ao ano): ainda acima dos 22,2 da Nvidia, mas perto demais para chamar de vitória, e por isso o título diz "como a Nvidia", e não "mais que a Nvidia". Os 39% ao ano desde 2022 comparam dois anos já na definição nova. Para o Mercado Livre, us-gaap:RevenueFromContractWithCustomerExcludingAssessedTax cobre só parte do negócio a partir do 10-K de 2023 (US$ 20,3 bilhões contra 28,9 em 2025), então o total vem de us-gaap:Revenues; em 2019 e 2020 a empresa não usou us-gaap:Revenues, e o valor vem da outra etiqueta, que na época ainda cobria a receita inteira. O Mercado Livre reporta em dólar: como o real e o peso argentino se desvalorizaram no período, o crescimento em dólar é menor que em moeda local. Recorte: empresas que já tinham capital aberto nos Estados Unidos em 2017, com produto que o leitor usa. Uber e Airbnb ficaram de fora porque só abriram capital em 2019 e 2020. A Netflix, que caberia no critério, ficou fora; com US$ 11,7 bilhões em 2017 e 45,2 bilhões em 2025 (18,4% ao ano), ela cairia dentro da faixa das cinco e não muda a leitura. Valores nominais em dólar, sem correção pela inflação: os multiplicadores e as taxas do texto são nominais.
Acesso em 22 de set. de 2026 · licença aberta
https://data.sec.gov/api/xbrl/companyconcept/CIK0001099590/us-gaap/Revenues.json