O imposto das gigantes caiu de 25% para 17% do lucro
Nos exercícios encerrados entre 2013 e 2015, Apple, Microsoft, Alphabet, Meta e Nvidia pagaram US$ 79 bilhões de imposto de renda sobre US$ 318 bilhões de lucro antes do imposto: 24,9%. Dez anos depois, nos exercícios encerrados entre 2023 e 2025, pagaram US$ 241 bilhões sobre US$ 1,38 trilhão: 17,5%. O lucro antes do imposto ficou 4,3 vezes maior. A conta de imposto, 3 vezes.
A virada tem data. A reforma tributária americana sancionada em dezembro de 2017 derrubou a alíquota federal de 35% para 21%. O efeito imediato foi o oposto do esperado: o Google fechou 2017 pagando 53% do lucro e a Microsoft pagou 55% no exercício encerrado em junho de 2018, por causa do imposto único cobrado de uma vez sobre o caixa acumulado fora dos Estados Unidos. Pago o pedágio, as alíquotas caíram e não voltaram.
Quem mais economizou foi quem mais pagava. A Meta saiu de 41,4% para 20,6%, a Apple de 26,2% para 18,2% e a Microsoft de 23,5% para 18,2%. Já quem tinha a conta baixa antes da reforma quase não se mexeu: o Google foi de 18,3% para 16,0% e a Nvidia, de 15,3% para 12,3%. A engenharia de registrar lucro em jurisdição barata valia muito quando a alíquota legal americana era 35%. Com 21%, o prêmio encolheu sozinho.
O resultado é uma faixa estreita: as cinco hoje ficam entre 12% e 21%, todas abaixo da alíquota legal. Para quem opera, isso muda onde está a diferença entre uma empresa e outra. Ela deixou de vir de onde o lucro é registrado e passou a vir de eventos pontuais, como o encargo de US$ 15,9 bilhões que a Meta reconheceu em 2025 e que sozinho explica por que ela aparece no topo do gráfico.
O imposto das gigantes caiu de 25% para 17% do lucro
Imposto de renda em % do lucro antes do imposto
- 2013-2015
- 2023-2025
Ressalva de método. A alíquota é contábil, não de caixa: é a provisão de imposto de renda do exercício sobre o lucro antes do imposto, e não o valor efetivamente desembolsado no ano. Os anos fiscais não coincidem: a Apple fecha em setembro, a Microsoft em junho, a Nvidia em janeiro e Alphabet e Meta em dezembro. Cada exercício entra pela data de encerramento, e é por isso que as janelas são "exercícios encerrados em 2013-2015" e não "anos de 2013 a 2015"; os exercícios já encerrados em 2026 (Nvidia em janeiro, Microsoft em junho) ficam fora. As janelas somam três exercícios justamente para diluir eventos pontuais. Mesmo assim sobram dois: a Meta reconheceu em 2025 um encargo tributário único de US$ 15,93 bilhões, divulgado no resultado do terceiro trimestre (a provisão do trimestre foi de US$ 18,95 bilhões, contra cerca de US$ 2 bilhões nos trimestres vizinhos), que levou a alíquota do ano para 29,6%. Sem 2025, a janela recente da Meta seria de 14,1%, abaixo da do Google. A Apple carrega no exercício de 2024 o encargo ligado à decisão europeia sobre os benefícios fiscais irlandeses, o que puxa sua janela recente para cima. A régua tracejada do gráfico é a alíquota federal americana de cada período (35% até 2017, 21% desde 2018), sem imposto estadual e sem a alíquota dos outros países onde as cinco registram lucro. A Amazon ficou de fora: no início da série seu lucro antes do imposto era pequeno demais para a alíquota efetiva significar alguma coisa. A Alphabet tinha operações descontinuadas (Motorola) em 2013 e 2014; o cálculo usa apenas operação continuada, então o lucro antes do imposto aqui não bate com o lucro líquido reportado nesses dois anos. Nos demais exercícios das duas janelas, lucro antes do imposto menos provisão bate exatamente com o lucro líquido dos 10-K, o que serviu de checagem, e os 66 exercícios da série batem com a API XBRL da SEC. Valores nominais em dólar, sem correção pela inflação: como a alíquota é uma razão dentro de cada janela, a inflação não a distorce, mas os múltiplos do texto (4,3 vezes, 3 vezes) são nominais. A pauta não veio do radar de veículos de dados: saiu da própria série do EDGAR.
Acesso em 21 de set. de 2026 · licença aberta
https://data.sec.gov/api/xbrl/companyconcept/CIK0001326801/us-gaap/IncomeTaxExpenseBenefit.json