A TV passou o computador na internet do brasileiro
Em 2016, só 11,3% de quem usava a internet no Brasil fazia isso pela televisão. Em 2025, foram 57,8%. No mesmo período o computador caiu de 63,2% para 33,4%. Em gente, a conta fica mais clara: 97,6 milhões de brasileiros entraram na internet pela TV no ano passado, contra 13 milhões nove anos antes. Pelo computador foram 56,3 milhões, menos que os 72,8 milhões de 2016.
A curva virou entre 2019 e 2021. Em 2019 a TV ainda perdia (32,2% contra 46,1%). Na pesquisa seguinte, feita depois do ano de casa fechada, já ganhava por 45,1% a 41,8%: 12,9 pontos percentuais a mais, o maior salto entre duas pesquisas da série (que, neste caso, cobre dois anos). O IBGE não perguntou sobre internet em 2020, então não dá para cravar o mês, mas a janela coincide com a pandemia, com a smart TV barata virando padrão na prateleira e com o streaming saindo do notebook para a sala.
O computador parou de cair (33,3% em 2024, 33,4% em 2025) e parece ter achado seu tamanho: é ferramenta de trabalho e de estudo, não mais a porta de entrada. O tablet, que em 2016 chegava a 16,4%, ficou em 9,2%. E o celular segue onde sempre esteve, perto de 99%. Um terço dos usuários (34,2%) entra na internet só pelo celular, contra 43,7% em 2019: parte de quem só tinha o telefone ganhou uma segunda tela, e ela está na sala.
Para quem vende atenção, a tela da sala voltou a ser disputa. Quem cresceu otimizando para o celular e para o navegador do computador agora tem que caber num controle remoto, que já é por onde a maioria dos usuários de internet do país entra quando não está olhando o telefone.
A TV passou o computador na internet do brasileiro
Usuários de internet que acessaram por cada aparelho (%), Brasil, 2016 e 2025
- 2016
- 2025
Ressalva de método. O IBGE não aplicou o módulo TIC em 2020: a série tem nove pontos anuais e um buraco nesse ano, por isso a virada fica "entre 2019 e 2021", e o salto de 2021 cobre dois anos. As categorias não somam 100%, porque a pergunta aceita mais de um aparelho por pessoa: é o percentual de usuários que usou cada aparelho, não a fatia de cada um no tempo de uso. "Computador" é o microcomputador do IBGE (desktop e notebook); tablet é categoria separada. Os releases da Agência IBGE trazem alguns valores um pouco diferentes da tabela atual do SIDRA (33,4% de computador em 2024, contra 33,3%; em 2019 e 2021, TV de 32,3% e 44,4% e computador de 45,2% e 42,2%, contra 32,2%, 45,1%, 46,1% e 41,8%). A diferença é compatível com a reponderação da PNAD Contínua, e nas duas versões a TV passa o computador em 2021; o gráfico usa a tabela vigente do SIDRA em todos os anos. As causas citadas no texto (pandemia, smart TV, streaming) são leitura da redação sobre a janela da virada: a PNAD mede o uso, não o motivo.
Acesso em 25 de set. de 2026 · licença aberta
https://sidra.ibge.gov.br/tabela/7337