O Tinder perdeu 2,6 milhões de pagantes
O Tinder tinha 11,1 milhões de pagantes no 3º trimestre de 2022. No 2º trimestre de 2026 eram 8,5 milhões: 23% a menos, e em queda na comparação anual há três anos e meio, desde o começo de 2023. O Bumble demorou mais para virar, mas caiu mais rápido: bateu 2,9 milhões no 3º trimestre de 2024 e está em 2,1 milhões, 28% abaixo do pico em sete trimestres.
A conta do Tinder fechou por um tempo porque quem ficou paga mais. A receita por pagante saiu de US$ 13,82 por mês no pico de pagantes para US$ 17,90 agora, alta de 30%. O salto veio em 2023, quando a Match subiu preços nos Estados Unidos e lançou pacotes de assinatura semanal: o valor foi de US$ 13,80 no 1º trimestre para US$ 16,49 no 4º. A própria empresa avisou o efeito colateral na carta do 3º trimestre daquele ano: o reajuste estava "redefinindo a base de pagantes num patamar menor, mas pagando mais". Resultado: o Tinder faturou US$ 460 milhões no trimestre do pico e US$ 457 milhões no último. Mesma receita, 2,6 milhões de clientes a menos.
No Bumble, o gasto médio por pagante também subiu enquanto a base encolhia, mas já parou: foi de US$ 25,58 no trimestre do pico de pagantes para US$ 28,27 um ano depois e desde então ficou abaixo disso. Está em US$ 27,55.
O terceiro painel mostra que o problema não é o namoro por aplicativo. O Hinge, da mesma dona do Tinder, saiu de 0,94 milhão para 2,0 milhões de pagantes no mesmo período, cobrando quase o dobro por cabeça (US$ 33,11 por mês). O app se vende como o lugar de quem quer sair do app, e é o único dos três em que a base de pagantes continua crescendo.
Para quem opera assinatura, o gráfico é um aviso sobre a ordem das coisas. Subir preço segura a receita por alguns anos e esconde a perda de base. Só que reajuste tem teto e base não volta sozinha: no Tinder, a receita passou a ficar abaixo da do mesmo trimestre do ano anterior no 3º trimestre de 2024, um ano e meio depois dos pagantes, e ficou abaixo em sete dos oito trimestres desde então.
O Tinder perdeu 2,6 milhões de pagantes
Pagantes por trimestre, em milhões (média do trimestre), do 1º tri de 2022 ao 2º tri de 2026 (n = 18 por app). Escala própria em cada painel
Tinder−23% desde o pico
Bumble−28% desde o pico
Hingemais que dobrouRessalva de método. As métricas não são idênticas entre as empresas: "Payers" da Match e "Paying Users" do Bumble são médias mensais de usuários que pagaram assinatura ou compra avulsa, cada uma pela definição da própria empresa. Por isso cada painel tem escala própria e o texto compara cada app com ele mesmo. Bumble é só o app Bumble: Badoo e os outros apps da Bumble Inc. ficam fora (total da empresa no 2º tri de 2026: 3,16 milhões). A pauta usava para 2025 e 2026 o número das cartas, arredondado a 0,1 milhão, e isso desenhava degraus que não existem (o Hinge parecia parado em 1,7 milhão no 1º e no 2º tri de 2025 e em 2,0 milhões no 1º e no 2º de 2026); o gráfico usa os milhares do 10-Q, e o Hinge só passou de 2 milhões no 2º tri de 2026 (1.957 mil no 1º). O 4º tri de 2025 não sai publicado em milhares: é a média anual do 10-K vezes quatro menos os três trimestres, com erro de até 3 mil pelo arredondamento (a carta dá 8,8 e 1,9 milhões, que ele respeita). A perda de 2,6 milhões é 11.103 menos 8.518 mil. A Match atribui a alta da receita por pagante do Tinder em 2023 a "pricing optimizations" nos EUA e também aos pacotes de assinatura semanal; a explicação é da empresa, não medição independente. A pauta dizia que o Bumble "seguiu a receita" com o gasto médio subindo de US$ 25,58 para US$ 27,55; os dois valores batem (3º tri de 2024 e 2º tri de 2026), mas o pico foi US$ 28,27 no 3º tri de 2025 e ele ficou abaixo disso desde então (27,61, 27,65 e 27,55), e o texto diz isso. O texto não atribui a alta do Bumble a reajuste: o release não dá a causa. "Gente nova continua pagando" virou "a base de pagantes continua crescendo": o dado é o saldo de pagantes, não a entrada de novos. A receita direta do Tinder vem das mesmas cartas, arredondada a US$ 1 milhão de 2025 em diante (3º tri de 2025: US$ 491 milhões, que faltava na pauta), e a comparação de receita no fecho é com o mesmo trimestre do ano anterior, porque o 3º tri é sazonalmente o mais forte; a exceção nos oito trimestres é o 1º de 2026 (US$ 455 milhões contra 447). "O lugar de quem quer sair do app" é o posicionamento do Hinge ("designed to be deleted"), não sai da base. Dados globais, sem recorte Brasil: nenhuma das duas empresas publica pagantes por país. A pauta não saiu de nenhum veículo do radar. Os ícones são o favicon de cada app como veio da pauta, o do Tinder convertido de JPEG para PNG.
Acesso em 07 de out. de 2026 · licença aberta
https://www.sec.gov/cgi-bin/browse-edgar?action=getcompany&CIK=0000891103&type=8-K