O Disney+ triplicou de preço. A inflação subiu 30%
O Disney+ estreou nos Estados Unidos em novembro de 2019 a US$ 6,99 por mês. A partir de 21 de outubro, o plano sem anúncios passa a custar US$ 21,49: alta de 207%, num período em que o índice de preços ao consumidor americano subiu 30%. Em dinheiro de hoje, o preço de lançamento equivaleria a US$ 9,10. O assinante paga mais que o dobro disso.
A curva virou com o plano com anúncios, lançado em dezembro de 2022. Até ali o Disney+ tinha tido um único reajuste, de um dólar, em março de 2021. Com a nova opção, quem não queria comercial passou a pagar pela ausência deles: a mensalidade sem anúncios saltou US$ 3 (de US$ 7,99 para US$ 10,99) e virou o plano "premium", com reajuste todo outubro desde 2023. O de agora é o sexto ano seguido de aumento.
O Xbox Game Pass Ultimate tentou um atalho parecido: saltou para US$ 29,99 em outubro de 2025 e recuou para US$ 22,99 em abril, depois de a própria Microsoft dizer que respondia ao retorno dos jogadores. Mesmo com o recuo, o preço está 53% acima do de junho de 2019, contra 31% da inflação.
O resto da lista ficou perto da inflação ou abaixo dela. Amazon Prime e YouTube Premium subiram praticamente o mesmo que o CPI: 76% contra 75% no Prime, 33% contra 33% no YouTube. Spotify e Apple Music ficaram mais baratos em termos reais: a mensalidade de US$ 9,99 de 2011 valeria US$ 14,81 hoje, e o Spotify cobra US$ 12,99. O ChatGPT Plus nunca saiu dos US$ 20, o que equivale a um desconto real de 10% desde fevereiro de 2023.
A diferença tem mais cara de poder de mercado que de custo. Música em streaming é commodity: o catálogo é quase o mesmo em todo lugar e trocar de app custa cinco minutos. Vídeo tem exclusividade, e a exclusividade aceita reajuste. Quem assina o Disney+ por causa de Marvel e Pixar descobriu que o plano de 2019 era preço de entrada, não preço.
O Disney+ triplicou de preço. A inflação subiu 30%
Alta do preço da assinatura nos EUA desde o lançamento, em %, contra a inflação do mesmo período
- Inflação
- Preço
Ressalva de método. Preço de tabela nos EUA, plano individual sem anúncios; o Amazon Prime entra no plano anual. Não inclui impostos, promoções nem pacotes (Disney Bundle, Apple One, Prime anual com desconto etc.). Disney+: o valor de US$ 21,49 vale a partir de 21/10/2026; hoje (01/10) o plano custa US$ 18,99, o que daria +172%. O número de US$ 21,49 vem do anúncio de reajuste reportado por vários veículos (Bloomberg, CNN, Hollywood Reporter, Tom's Guide); a página de preços da Disney não pôde ser lida. O plano de 2019 não tinha versão com anúncios, então o comparável hoje é o Premium sem anúncios. "Sexto ano seguido de aumento" vem da cobertura do anúncio de 2026 (reajustes em março de 2021, dezembro de 2022 e todo outubro de 2023 a 2026). YouTube Premium: o preço atual vem da mensagem da empresa aos assinantes, reproduzida pela imprensa, porque a página youtube.com/premium não pôde ser lida. O ponto de partida é o lançamento da marca Premium (jun/2018); o antecessor YouTube Red custava US$ 9,99 desde 2015, e por essa base a alta seria de 60%. Amazon Prime: US$ 139 por ano, sem mudança desde 2022, segundo o release da empresa e o acompanhamento do DealNews (set/2026); a página da Amazon bloqueia leitura automática. O Prime de 2005 era só frete, e o de hoje inclui vídeo, música e outros benefícios, então a comparação é de preço, não de pacote. Game Pass Ultimate: usado jun/2019 como mês de lançamento (disponibilidade geral); o teste com Xbox Insiders começou em abril, e a diferença no CPI é de 0,2%. O salto para US$ 29,99 em outubro de 2025 não entra na conta, só o preço atual. Comparação em % de alta nominal; descontada a inflação, a alta real é de +136% no Disney+, +17% no Game Pass Ultimate, +1% no Amazon Prime, +0,3% no YouTube Premium, −12% no Spotify, −15% no Apple Music e −10% no ChatGPT Plus. A frase sobre poder de mercado, catálogo e exclusividade é leitura da redação: os dados medem preço, não custo nem catálogo. Os pontos de partida (preço e data de lançamento) não mudam; um reajuste novo ou um mês novo de CPI só desloca a ponta final.
Acesso em 01 de out. de 2026 · licença aberta
https://fred.stlouisfed.org/data/CPIAUCNS.txt