O Chrome virou o Internet Explorer que ele matou
Em janeiro de 2009, o Internet Explorer respondia por 65,0% da navegação no mundo e o Chrome, lançado quatro meses antes, por 1,4%. Em setembro de 2026 o Chrome tem 66,5%. O domínio trocou de dono e ficou do mesmo tamanho. O Safari vem atrás com 18,2%, o Edge com 6,0% e o Firefox com 2,8%.
A curva virou em maio de 2012, quando o Chrome passou o Internet Explorer (29,2% a 28,9%), seis meses depois de passar o Firefox. A série junta computador, celular, tablet e console, então não mostra de qual tela veio a virada. O Chrome cruzou os 50% em outubro de 2016 e bateu o pico da série, 73,2%, em outubro de 2025.
O Firefox é a outra metade da história. Chegou a 31,8% em novembro de 2009, quando era a alternativa a um Internet Explorer que ainda tinha 55,9%, e perdeu participação em quase todos os anos desde então. O Safari passou por ele em junho de 2014 (13,8% a 13,3%) e nunca mais ficou atrás: é o navegador que vem de fábrica no iPhone, no iPad e no Mac. A série não separa quem escolheu o navegador de quem usa o que veio no aparelho, e o Chrome chegou a 66% contra um Internet Explorer que já vinha instalado no Windows.
A Microsoft aposentou o Internet Explorer em junho de 2022, com o Edge já reconstruído em cima do Chromium, o motor do concorrente. Só com o Edge, o motor do Google responde por 72,5% da navegação (66,5% do Chrome mais 6,0%), sem contar Opera, Samsung Internet e outros navegadores que usam a mesma base. Para quem faz site ou produto, isso quer dizer que "funciona no Chrome" virou quase sinônimo de "funciona", e que uma decisão do Google sobre cookies, extensões ou bloqueio de anúncio vale como regra para a web inteira. É a reclamação que se fazia da Microsoft em 2009: em 15 de janeiro daquele ano a Comissão Europeia enviou à empresa uma comunicação de objeções por amarrar o Internet Explorer ao Windows, e dizia temer que a ubiquidade dele levasse os sites a serem feitos primeiro para ele.
O Chrome virou o Internet Explorer que ele matou
Fatia de cada navegador nas páginas vistas, mundo, todas as telas, jan/2009 a set/2026 (%)
Chrome
Safari
Firefox
Internet Explorer
Ressalva de método. O Statcounter mede páginas vistas numa rede de sites parceiros, não usuários nem instalações: é amostra de tráfego, não censo. A série junta computador, celular, tablet e console e não separa as telas, então a virada de 2012 e a liderança de hoje não se atribuem a nenhuma delas. "Chrome" inclui Chrome para Android e iOS; "Safari" inclui iPhone, iPad e Mac. A série tem ruído em 2025 e 2026 (o Chrome oscila entre 66,2% e 73,2%): o pico de out/2025 pode refletir mudança de amostra do Statcounter, não de hábito, e a queda de 73,2% para 66,5% não deve ser lida como tendência. O salto do Firefox de 2,2% para 3,4% em junho de 2026 tem cara de ajuste de medição, volta a 2,8% em setembro e não foi investigado. O Edge (Chromium) aparece na base desde jan/2020, mas fica fora do gráfico e só entra no texto, com o valor de set/2026; a conta de 72,5% soma só Chrome e Edge e não é uma série do gráfico. A linha do Internet Explorer segue até set/2026 colada ao zero (0,3% em dez/2022, 0,01% em set/2026); o rótulo dele fica no começo, onde tinha 65,0%. A pauta cortava a linha em dez/2022 por falta de dado nos blocos, e a releitura completa mostrou que ele nunca deixou de ser medido. As datas de aposentadoria do Internet Explorer (15/06/2022), do Edge sobre o Chromium (2020) e da comunicação de objeções da Comissão Europeia (15/01/2009) são contexto, não saem da base do Statcounter. "Funciona no Chrome" vale como leitura do que a participação implica para quem faz site, não como medida. Os ícones são o favicon do fabricante de cada navegador (Google, Apple, Mozilla, Microsoft): o do Chrome mostra o G do Google, não o ícone do Chrome.
Acesso em 05 de out. de 2026 · licença atribuicao
https://gs.statcounter.com/browser-market-share/all/worldwide/