Seis das dez techs mais valiosas da América Latina são brasileiras
O Mercado Livre vale US$ 89 bilhões na bolsa e o Nubank, US$ 66 bilhões. Juntos, somam US$ 155 bilhões, 3,5 vezes o valor das oito empresas seguintes no ranking das techs mais valiosas da América Latina, da Multiples, que junta o valor de mercado das empresas listadas com a última avaliação das fechadas. Depois dos dois, a régua despenca. A XP, terceira, vale US$ 10 bilhões, e as sete seguintes ficam entre US$ 3,8 bilhões e US$ 5,4 bilhões. Entre a XP e o Nubank não há ninguém.
Seis das dez são brasileiras: Nubank, XP, iFood, QuintoAndar, C6 Bank e TOTVS. As outras quatro são o Mercado Livre, fundado na Argentina e com sede no Uruguai, a colombiana Rappi, a mexicana Plata e a uruguaia dLocal. Quase todas vivem de dinheiro ou de comércio: são cinco empresas financeiras (Nubank, XP, C6, Plata e dLocal), três de comércio e entrega (Mercado Livre, iFood e Rappi) e uma de aluguel de imóveis (QuintoAndar). Software vendido a outras empresas aparece uma vez só, com a TOTVS em décimo.
O meio da tabela é quase todo preço antigo. Rappi, QuintoAndar e C6 Bank entram com o valor de rodadas de 2021, o ano do dinheiro barato, e o iFood com o valor implícito na compra de um terço da empresa pela Prosus, em 2022. A exceção é a Plata, banco digital mexicano que em abril levantou US$ 405 milhões a uma avaliação de US$ 5 bilhões. Em março de 2025, valia US$ 1,5 bilhão.
Para o ecossistema brasileiro, a lista tem duas leituras. O país fabrica empresa de US$ 5 bilhões com frequência: o pelotão entre US$ 5 bilhões e US$ 5,4 bilhões tem cinco empresas, três delas brasileiras. Mas o degrau seguinte está vazio. Nenhuma empresa da lista vale entre os US$ 10 bilhões da XP e os US$ 66 bilhões do Nubank, e metade do pelotão ainda carrega o preço de 2021.
O Mercado Livre e o Nubank valem 3,5 vezes as outras oito juntas.
Seis das dez techs mais valiosas da América Latina são brasileiras
Valor de mercado ou última avaliação, 25/09/2026
Ressalva de método. O ranking é da Multiples e mistura duas réguas. Para as listadas (Mercado Livre, Nubank, XP, dLocal e TOTVS), é o valor de mercado no fechamento de 25/09/2026, que muda todo dia. Para as fechadas, é a última avaliação conhecida, que pode ter anos: Rappi, QuintoAndar e C6 Bank carregam o preço de 2021. O valor do C6 é estimativa de imprensa: o JPMorgan comprou 40% do banco em 2021 sem divulgar o preço, e fontes próximas ao negócio falaram em R$ 10 bilhões pela fatia, o que dá cerca de US$ 5 bilhões pelo banco inteiro ao câmbio da época. O do iFood é o implícito na compra, pela Prosus, dos 33% que a Just Eat Takeaway tinha, em agosto de 2022: até € 1,8 bilhão, contando € 300 milhões condicionados a metas; sem essa parcela, a empresa inteira sairia por € 4,5 bilhões. O múltiplo de receita é o calculado pela Multiples; o da XP (12,8x na fonte) ficou de fora porque soma ao valor da empresa o dinheiro que a corretora capta dos clientes, e a conta pelo valor de mercado dá cerca de 2,8x. A Multiples classifica o Mercado Livre como argentino, país onde foi fundado; a sede é em Montevidéu e o Brasil é o maior mercado da empresa. O critério de tecnologia também é da Multiples: a XP entra e bancos como o BTG Pactual (cerca de US$ 54 bilhões) ficam de fora. A página da Multiples tem o frigorífico Marfrig em nono lugar; o gráfico segue a versão publicada no LinkedIn, que tira a empresa.
Acesso em 28 de set. de 2026 · licença atribuicao
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